Casal posa para uma selfie em momento romântico, em imagem que ilustra a idealização dos relacionamentos nas redes sociais.Especialista alerta para os impactos da comparação constante e da idealização amorosa nas redes sociais | Foto: Silverkblack / Pexels

No Dia dos Namorados, psicóloga explica como a idealização alimentada pela internet pode gerar frustração, ansiedade e dificultar a construção de relações saudáveis

No feed das redes sociais, o amor parece sempre impecável: viagens, presentes, jantares românticos e declarações públicas que acumulam curtidas e comentários. Mas fora das telas, a realidade costuma ser bem diferente. Em datas como o Dia dos Namorados, quando esse tipo de conteúdo se multiplica, especialistas alertam para um fenômeno cada vez mais comum: a comparação constante entre a própria vida afetiva e os relacionamentos aparentemente perfeitos exibidos na internet.

Para a psicóloga e professora do curso de Psicologia da Estácio, Thais Knopp, esse hábito pode criar expectativas irreais e dificultar a construção de vínculos saudáveis.

Segundo a especialista, um relacionamento equilibrado não é aquele livre de problemas, mas aquele em que existe acolhimento, respeito, parceria e capacidade de enfrentar os desafios cotidianos em conjunto. “Relacionamento saudável é aquele em que você se sente bem dentro dele, que não te traz sofrimento constante, que faz você rir mais do que chorar, que traz mais alegria do que tristeza”, afirma.

Na avaliação da psicóloga, um dos maiores desafios atuais é compreender que toda relação envolve diferenças, limitações e conflitos. A convivência exige reconhecer que o outro também enfrenta dificuldades, tem defeitos e momentos de sobrecarga.

Retrato da psicóloga e professora Thais Knopp, que comenta os impactos da idealização dos relacionamentos nas redes sociais.

“As pessoas são diferentes. Do mesmo jeito que nós nos sentimos sobrecarregados, o parceiro ou parceira também se sente. Nós vemos os defeitos do outro, mas o outro também vê os nossos”, destaca.

(Psicóloga e professora Thais Knopp. Foto: Divulgação/Estácio.)

Outro ponto de atenção é a influência das redes sociais na construção dessas expectativas. Como normalmente são compartilhados apenas os momentos felizes, cria-se uma espécie de vitrine permanente de felicidade que nem sempre corresponde à realidade.

Essa comparação constante pode aumentar sentimentos de insegurança, ansiedade e insatisfação, levando muitas pessoas a acreditar que apenas o próprio relacionamento enfrenta dificuldades, quando, na prática, conflitos fazem parte de qualquer convivência.

A especialista também chama atenção para relações iniciadas em momentos de carência emocional. Segundo ela, quando o relacionamento surge apenas para preencher um vazio afetivo, aumentam os riscos de dependência emocional, ciúmes excessivos e comportamentos possessivos.

Apesar disso, Thais Knopp ressalta que idealizar faz parte da experiência humana e não se limita aos relacionamentos amorosos. O problema surge quando essa expectativa impede que as pessoas construam vínculos baseados na realidade, no diálogo e na maturidade emocional.

Em um cenário de exposição permanente da vida privada, a psicóloga reforça que a qualidade de um relacionamento não pode ser medida pelo que aparece nas redes sociais. Afinal, por trás das fotos cuidadosamente produzidas e das declarações públicas, continuam existindo as imperfeições, os desafios e os ajustes que fazem parte de qualquer relação humana.

By Grazielle Costa

Grazielle Costa, jornalista de Teresópolis (RJ), atua no jornalismo local e é criadora e editora do Terê In Foco, projeto que começou como iniciativa acadêmica e hoje segue como portal de informação regional. Jornalista registrada sob o MTB 0445578/RJ.

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