Bicicleta estacionada ao lado de uma ciclofaixa em Teresópolis, ilustrando o debate sobre mobilidade sustentável e infraestrutura para ciclistas na Região Serrana.O uso da bicicleta como meio de transporte e lazer faz parte do debate sobre mobilidade sustentável em cidades do Estado do Rio, incluindo municípios da Região Serrana. Foto: Grazielle Costa / Terê In Foco

Projetos em discussão na Alerj reforçam mobilidade sustentável e destacam a necessidade de infraestrutura para ciclistas

A bicicleta tem ganhado espaço nas discussões sobre mobilidade urbana em todo o país. No Estado do Rio de Janeiro, projetos em análise na Assembleia Legislativa (Alerj) reforçam o debate sobre infraestrutura cicloviária, segurança e integração com outros meios de transporte. O tema ganha ainda mais destaque nesta quarta-feira (3), quando é celebrado o Dia Mundial da Bicicleta.

Embora frequentemente associada ao esporte e ao lazer, a bicicleta é utilizada diariamente como meio de transporte por milhões de brasileiros. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que cerca de 4,4 milhões de pessoas usam a bike como principal forma de deslocamento. Ao mesmo tempo, apenas 1,9% da população urbana vive em ruas com infraestrutura voltada para ciclistas.

No Rio de Janeiro, uma das principais iniciativas sobre o tema é a Lei Estadual nº 7.105/2015, que criou o Sistema Cicloviário Estadual e estabeleceu diretrizes para incentivar o uso da bicicleta na mobilidade urbana.

Projetos em discussão na Alerj buscam ampliar a segurança e incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte no estado.

Nesta semana, a Alerj aprovou ainda um projeto de lei que amplia medidas de segurança para pedestres em ciclovias localizadas nas orlas marítimas. A proposta prevê reforço na sinalização e na demarcação de áreas de travessia. O texto segue para análise do Governo do Estado.

Projetos em discussão na Alerj buscam ampliar a segurança e incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte no estado.

Foto: Thiago Lontra / Alerj

Reflexos para a Região Serrana

Embora grande parte das discussões sobre ciclovias esteja concentrada na Região Metropolitana, o tema também desperta interesse em cidades da Região Serrana.

Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis são referências estaduais em modalidades como ciclismo de estrada, mountain bike e cicloturismo. O relevo montanhoso, as paisagens naturais e as estradas cênicas atraem praticantes de diversas regiões do estado e até de outros estados.

Nos últimos anos, o crescimento do turismo de aventura e das atividades ao ar livre ampliou a presença de ciclistas nas rodovias e vias urbanas da Serra Fluminense. Ao mesmo tempo, moradores e praticantes da modalidade frequentemente apontam desafios relacionados à segurança no trânsito e à falta de infraestrutura específica.

Diferentemente de cidades mais planas, os municípios serranos enfrentam obstáculos adicionais para ampliar o uso da bicicleta como meio de transporte diário. Entre eles estão as grandes inclinações, a ocupação urbana consolidada e a limitação de espaço em muitas vias.

Mesmo assim, especialistas em mobilidade defendem que o planejamento urbano pode incluir alternativas voltadas à circulação segura de ciclistas, especialmente em trajetos urbanos, áreas turísticas e conexões com equipamentos públicos.

Integrante do grupo Pedal Kom As Minas pedala pela rodovia Teresópolis–Friburgo com a formação rochosa Mulher de Pedra ao fundo, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Foto: Grazielle Costa / Pedal Kom As Minas

Grupos de ciclismo fazem parte da rotina de muitos moradores da Região Serrana. Na imagem, integrante do Pedal Kom As Minas durante percurso na rodovia Teresópolis–Friburgo, com a Mulher de Pedra ao fundo.

Mobilidade sustentável em pauta

Além da questão da mobilidade, o incentivo ao uso da bicicleta também está relacionado à redução da emissão de poluentes e à melhoria da qualidade de vida nas cidades.

Levantamentos recentes mostram que o transporte está entre os setores que mais contribuem para a emissão de gases de efeito estufa no estado. Nesse cenário, ampliar alternativas ao uso individual do automóvel aparece como uma das estratégias discutidas por especialistas em planejamento urbano.

Segundo a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), as capitais brasileiras ampliaram em cerca de 5% suas redes de ciclovias e ciclofaixas entre 2024 e 2025. Apesar do crescimento, a infraestrutura exclusiva para ciclistas ainda representa uma parcela pequena da malha viária urbana.

Outra proposta em tramitação na Alerj prevê ampliar a integração entre bicicletas e transportes públicos, permitindo o embarque de bikes em sistemas ferroviários, metroviários e aquaviários fora dos horários de pico.

A discussão acompanha uma tendência observada em diversas cidades brasileiras, onde a bicicleta deixa de ser vista apenas como opção de lazer e passa a ocupar espaço cada vez maior nos debates sobre mobilidade, saúde pública e sustentabilidade.

By Grazielle Costa

Grazielle Costa, jornalista de Teresópolis (RJ), atua no jornalismo local e é criadora e editora do Terê In Foco, projeto que começou como iniciativa acadêmica e hoje segue como portal de informação regional. Jornalista registrada sob o MTB 0445578/RJ.

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