Especialistas participam de seminário na Alerj sobre mudanças climáticas, com apresentação de dados sobre vulnerabilidade dos municípios brasileiros.Apresentação de estudos sobre vulnerabilidade climática no estado do Rio | Foto: Alex Ramos

Seminário na Alerj relembrou a tragédia de 2011 e discutiu formas de reduzir riscos nas cidades

As cidades da Região Serrana do Rio voltaram a ser citadas como exemplo da urgência de preparar os municípios para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. O tema foi debatido nesta segunda-feira (1º) durante um seminário promovido pelo Fórum de Desenvolvimento Estratégico da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

O encontro reuniu pesquisadores, especialistas e gestores públicos para discutir medidas de adaptação diante do aumento de eventos extremos, como chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor.

Ao longo dos debates, a tragédia que atingiu Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis e outros municípios serranos em janeiro de 2011 foi lembrada como um dos principais exemplos da vulnerabilidade das cidades brasileiras diante de desastres naturais. O episódio deixou centenas de mortos, milhares de desabrigados e provocou mudanças na forma como governos e instituições passaram a tratar a gestão de riscos.

Segundo dados apresentados durante o seminário, 2.807 municípios brasileiros estão atualmente classificados em situação de alta vulnerabilidade climática. O levantamento foi realizado pelo Governo Federal em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Para cidades serranas como Teresópolis, o tema permanece atual. A combinação de relevo montanhoso, ocupação urbana em áreas de encosta e períodos de chuva intensa exige monitoramento constante e planejamento para reduzir riscos à população.

O climatologista Carlos Nobre alertou que o aumento das temperaturas globais tem sido acompanhado pela expansão das chamadas ilhas de calor nas áreas urbanas. Segundo ele, locais com pouca vegetação podem registrar temperaturas significativamente mais altas do que regiões arborizadas.

Entre as medidas apontadas como alternativas para enfrentar o problema estão a ampliação das áreas verdes, o reflorestamento urbano, a implantação de telhados verdes e a adoção do conceito de “cidades-esponja”, que busca aumentar a absorção da água da chuva e reduzir alagamentos.

Nobre destacou que ações preventivas podem trazer benefícios tanto para a redução dos impactos das chuvas quanto para o enfrentamento das ondas de calor, fenômenos que vêm se tornando mais frequentes em diversas regiões do país.

A coordenadora do Fórum de Desenvolvimento Estratégico da Alerj, deputada Tia Ju, afirmou que a construção de respostas para os desafios climáticos passa pela integração entre poder público, comunidade científica e sociedade.

Já o subdiretor do Fórum, Frederico Lima, ressaltou que os efeitos da crise climática já são percebidos em diferentes regiões do estado, por meio de enchentes, períodos de calor intenso, problemas de abastecimento hídrico e degradação ambiental.

Outro ponto destacado foi a necessidade de fortalecer a cooperação entre municípios e o Governo do Estado. De acordo com Felipe Mandarino, coordenador de Operações do Instituto Pereira Passos, muitas cidades ainda enfrentam dificuldades para desenvolver projetos de adaptação por falta de recursos e capacidade técnica.

Os participantes defenderam que investimentos em prevenção, monitoramento, drenagem urbana e preservação ambiental sejam tratados como prioridade. A avaliação é que preparar as cidades para eventos extremos custa menos do que lidar com as consequências de grandes desastres.

Para municípios da Região Serrana, que convivem historicamente com riscos associados às chuvas fortes, o debate reforça a importância de manter políticas permanentes de prevenção e planejamento urbano, especialmente diante das projeções de agravamento dos efeitos das mudanças climáticas nos próximos anos.

Foto: Alex Ramos/Alerj

By Grazielle Costa

Grazielle Costa, jornalista de Teresópolis (RJ), atua no jornalismo local e é criadora e editora do Terê In Foco, projeto que começou como iniciativa acadêmica e hoje segue como portal de informação regional. Jornalista registrada sob o MTB 0445578/RJ.

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